"…Vamos jogar aberto.
A culpa é minha.
Eu dei meu coração. Eu criei expectativas.
Então, com sua licença.
A culpa é minha.
Minha culpa.
Minha feia culpa que é minha e de mais ninguém.
Minha culpa de sete pontas.
Minha culpa que me faz olhar a vida e me sentir personagem principal de uma página triste. E não é só triste.
É uma culpa boa.
Porque também me faz exercitar um sentimento maior (e mais brilhante que o mundo): o perdão.
Se eu pudesse escolher um verbo hoje, eu escolheria perdoar. Assim, conjugado na primeira pessoa, com objeto direto e ponto final: eu me perdôo.
Não, eu não te perdôo porque não tenho porque te perdoar.
Tenho que perdoar a mim.
A mim, que me ferrei. Me iludi. Me fudi. Me refiz. Me encantei.
A culpa é minha.
Minhas e das minhas expectativas.
Minha e das minhas lamentáveis escolhas.
Minha e do meu coração lerdo.
Minha e da minha imaginação pra lá de maluca.
Então, com sua licença, deixe eu e minha culpa em paz.
Eu e meu delicioso perdão por mim mesma.
Eu só te peço uma coisa.
Pare de culpar a vida.
Pare de ter pena de você.
Se assuma.
Se aceite.
Se culpe.
Se estrepe.
Se mate.
Mas se perdoe.
Pelo amor de Deus, se perdoe.”
(Fernanda Mello)
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