quarta-feira, abril 21, 2010

Quase

Ainda pior que a convicção de um não e a incerteza de um talvez, é a desilução do quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo aquilo que poderia ter sido, e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, e quem quase amou, não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances qeu se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver de outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna, ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferenças dos "bom dia" quase sussurrados.

Sobra covardia, e falta coragem até para ser feliz.

A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai!

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são!

Se a virtuude tivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados, e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflinge nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estralas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas restá-nos apenas paciência porém, preferir a derrota prévia à duvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros, há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo!

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma. Um romance cujo o fim é instantâneo ou indolor, não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino, e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

(Sarah Westphal)

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